30/10/2024 às 15h49min - Atualizada em 30/10/2024 às 15h43min

Análise do Resultado Eleitoral de João Pessoa; Cenários e Perspectivas Econômicas

Autor: Cássio dos Anjos, doutorando em Economia Aplicada pelo PPGE/UFPB, possui mestrado em Matemática Pura e especialização em Educação Financeira, ambos pela Universidade Federal da Paraíba, além de licenciatura em Matemática pela Universidade de Pernambuco.

LABIMEC

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A coluna "Radar Econômico" compartilha análises e reflexões sobre o cenário econômico atual, escritos por pesquisadores do LABIMEC da UFPB

Cássio dos Anjos
Foto: Freepik
A interpretação dos resultados eleitorais em João Pessoa revela muito sobre o cenário político-econômico e a dinâmica de aprovação pública. Para calcular o percentual de votos em uma eleição, consideram-se apenas os votos válidos, que incluem os dados diretamente aos candidatos, excluindo votos nulos e brancos. Foi com essa metodologia que Cícero Lucena (PP) venceu o segundo turno com 63,91% dos votos válidos, enquanto seu adversário Marcelo Queiroga (PL) obteve 36,09%. Juntos, somam 92,66% dos votos considerados na apuração. com 7,34% dos votos excluídos (brancos e nulos). Assim, o total de votos válidos foi de 404.856. Mas, e se considerássemos outros cenários? Vamos explorar três perspectivas para entender como o resultado poderia ser interpretado de maneiras diferentes.

Cenário 1: Votos Válidos

Essa abordagem, que exclui votos brancos e nulos, é comum e reflete a escolha dos eleitores que participaram ativamente da decisão entre os candidatos. Com uma margem expressiva, o resultado indica uma preferência clara pela continuidade com Cícero Lucena (PP), mostrando que suas propostas e coligação ampla conquistaram o apoio de uma parcela significativa do eleitorado. Esse resultado destaca a vantagem de Cícero Lucena (PP) sobre seu oponente, sugerindo uma aprovação consistente de sua plataforma entre os eleitores que compareceram e optaram por votar em um dos candidatos. 

A ampla margem de Cícero Lucena (PP) demonstra uma base sólida de apoio entre os eleitores que decidiram votar, indicando aprovação de suas propostas, inclusive econômicas, que prometeram continuidade em projetos e estabilidade. Esse cenário favorece o candidato vencedor, sugerindo uma aprovação consistente. Em termos econômicos, a confiança pública na continuidade pode beneficiar a gestão atual com maior previsibilidade e estabilidade, fatores bem-vistos por investidores locais e pelo setor privado.

Cenário 2: Incluindo Votos Brancos e Nulos

Ao incorporar votos brancos e nulos na análise, o total de votos sobe para 436.930, o que altera o cenário inicial. Nesse contexto, Cícero Lucena (PP) passaria a ter 59,21% dos votos e Marcelo Queiroga (PL), 33,44%, com 2,65% em branco e 4,69% de votos nulos. Esse ajuste reduz a margem de vitória de Cícero Lucena (PP) em 2,05%.

Esse cenário indica que, mesmo entre os eleitores que compareceram às urnas, muitos escolheram não apoiar ativamente nenhum dos candidatos, o que reflete uma possível lacuna na capacidade de atração das propostas apresentadas. O voto em branco pode ser interpretado de diferentes formas: indiferença entre as opções, postura de neutralidade ou falta de informação. Por outro lado, o voto nulo pode representar um protesto contra o sistema político, uma rejeição explícita dos candidatos disponíveis ou, ainda, uma expressão de descrença na política tradicional.

Economicamente, votos brancos e nulos indicam uma parcela do eleitorado que não se sentiu representada por nenhuma das alternativas, o que pode sinalizar um risco moderado de instabilidade. Em um contexto de políticas públicas, essa porcentagem pode significar que um segmento do eleitorado espera por ajustes em áreas sensíveis, possivelmente refletindo demandas por transparência fiscal ou políticas econômicas mais inclusivas.

Cenário 3: Abstenções como Escolhas Válidas

Por fim, ao considerar também as abstenções como uma “escolha válida” no cálculo, o cenário muda de forma mais significativa. Nesse caso, o total de eleitores passa a ser de 566.290, alterando as porcentagens para 45,69% dos votos para Cícero Lucena (PP), 25,80% para Marcelo Queiroga (PL), 2,05% para votos brancos, 3,62% para nulos e 22,84% para abstenções.

Esse cenário revela um dado importante: a soma das abstenções, brancos e nulos chega a 28,51% — um percentual superior ao total de votos obtidos por Marcelo Queiroga (PL). Essa quantidade significativa de eleitores que optaram por não votar em nenhum dos candidatos ou que se abstiveram sugere que, apesar de uma possível insatisfação com a gestão atual, a candidatura de Marcelo Queiroga (PL) não foi vista como uma alternativa suficientemente convincente por parte do eleitorado.

Os 45,69% de votos para Cícero Lucena (PP), próximos a 50%, podem indicar, para os mais otimistas, que a atual gestão é aprovada por quase metade dos eleitores. Por outro lado, os mais críticos podem argumentar que mais da metade do eleitorado não apoia a gestão atual. Qual dessas interpretações está correta só o tempo dirá, e a resposta será mais clara nos próximos quatro anos.

Esse cenário é o mais revelador em termos econômicos, pois uma abstenção elevada pode indicar descontentamento com as perspectivas econômicas ou insatisfação com os resultados econômicos da gestão atual. Para investidores, esse dado sugere uma percepção de risco, que se traduz na possibilidade de que os eleitores estejam buscando, no médio prazo, uma alternativa de gestão com propostas econômicas mais inovadoras ou assertivas.

Termômetro para a Gestão

Os diferentes cenários oferecem uma visão balanceada do cenário eleitoral em João Pessoa. No cenário real, Cícero Lucena (PP) possui um apoio sólido entre os votos válidos, mas ao incluir outras perspectivas, percebe-se que há uma parcela expressiva do eleitorado que se sente desmotivada ou desiludida com as opções oferecidas. Esse contexto lança um desafio para a próxima gestão: entender e responder aos anseios dos que, por algum motivo, escolheram se afastar da disputa ou não se identificaram com as opções disponíveis. Nos próximos quatro anos, será fundamental acompanhar se essa falta de representatividade se traduzirá em engajamento ou em um aumento ainda maior da abstenção.

Esses três cenários oferecem uma visão abrangente sobre o apoio ao atual governo e as expectativas econômicas em João Pessoa. A forte votação nos votos válidos indica apoio a políticas de continuidade, mas a inclusão de votos brancos, nulos e abstenções demonstra que um segmento considerável do eleitorado espera mudanças. Para a gestão de Cícero Lucena (PP), essa análise serve como um termômetro: o desafio será traduzir o apoio existente em medidas econômicas que também atraiam os eleitores insatisfeitos e desmotivados, fortalecendo, assim, a confiança na administração local e no desenvolvimento econômico da cidade.


Conheça o autor: Cássio dos Anjos é doutorando em Economia Aplicada pelo PPGE/UFPB, possui mestrado em Matemática Pura e especialização em Educação Financeira, ambos pela Universidade Federal da Paraíba, além de licenciatura em Matemática pela Universidade de Pernambuco. É professor efetivo no Governo do Estado da Paraíba e na Prefeitura Municipal de João Pessoa, pesquisador do Laboratório de Inteligência Artificial e Macroeconomia Computacional (LABIMEC/UFPB) e Assessor Pedagógico da Sicredi Evolução. Com mais de uma década de experiência, trabalha com Tecnologia no Ensino de Matemática, Educação Financeira e Aprendizagem Baseada em Projetos. Tem experiência na área de Economia, com ênfase em Métodos Quantitativos Aplicados, e na área de Matemática, com ênfase em Álgebra. Atualmente, está se especializando em Economia do Setor Público e dos Recursos Naturais, utilizando ferramentas como Modelos de Equilíbrio Geral Computável e Econometria de Séries Temporais.
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