O dólar tem passado por uma fase de valorização expressiva em relação ao real nos últimos meses, desse modo, despertando o interesse crescente de investidores, pesquisadores e da população em geral para os impactos na economia brasileira. Independentemente do consumo direto em moeda estrangeira, a variação do dólar impacta o cotidiano dos brasileiros e torna-se motivo de preocupação à medida que encarece o preço final de produtos importados e influencia nos preços no mercado interno.
Na última sexta-feira (01), o dólar atingiu R$ 5,87, dessa forma, marcando o segundo nível mais alto já registrado, ficando atrás apenas dos R$ 5,90 atingidos em maio de 2020, durante a pandemia. A recente apreciação do dólar está relacionada, principalmente, a dois fatores: as incertezas fiscais no Brasil, pois o mercado demonstra receio quanto à ausência de medidas sólidas para controlar os gastos; e ao processo eleitoral nos Estados Unidos, onde uma possível vitória de Donald Trump tem gerado cautela entre os investidores.
Além disso, outros elementos também têm influenciado o câmbio. Nos Estados Unidos, o número de novas vagas de emprego ficou abaixo do esperado pelo mercado, dessa maneira, elevando a pressão. No Brasil, a reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM) sobre a taxa de juros, que acontece nessa quarta-feira (06), e a decisão do Federal Open Market Committee (FOMC), na quinta-feira (07), são eventos que contribuem significativamente para o recente crescimento da moeda norte-americana.
Figura: Cotação do dólar, 01 jan. 2014 – 01 nov. 2024
Seguindo essa linha de raciocínio, é importante afirmar que a elevação do dólar tem impactos no curto e longo prazo. Em breve, por exemplo, os preços dos combustíveis devem ser afetados, tendo em vista que o preço do petróleo é cotado em dólar. Esse fenômeno tende a elevar os custos de transporte, o que, por sua vez, deve impulsionar os preços de outros produtos. Ademais, cabe destacar um ponto relevante que pode parecer óbvio, mas que merece atenção: o aumento no preço dos produtos importados. Dessa forma, itens como fertilizantes químicos, produtos industriais e farmacêuticos provavelmente terão seus preços impactados.
No longo prazo, a questão do endividamento pode se tornar preocupante, uma vez que empresas e governos com dívidas atreladas ao dólar podem enfrentar custos financeiros elevados, e consequentemente, limitar a capacidade de investimento. Outro fator que precisa ser observado é o impacto sobre o consumo das famílias, que, diante da alta nos preços, tendem a reduzir gastos com produtos não essenciais, priorizar itens básicos e buscar opções nacionais mais acessíveis.
Diante disso, sugere-se que os consumidores adotem um planejamento financeiro para reduzir dívidas em dólar e se proteger da inflação. A antecipação de compras pode ser uma alternativa, caso existam condições favoráveis de preço e pagamento, assim como a substituição de produtos importados por itens nacionais, desse modo, visando minimizar os custos. No que diz respeito aos investidores, acompanhar o mercado econômico, aliado a uma estratégia de diversificação do portfólio, pode ser uma escolha interessante.
Sobre o autor: Doutorando em economia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e membro do Laboratório de Inteligência Artificial e Macroeconomia Computacional (LABIMEC). Mestrado em Economia pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Especialização em Gestão Pública pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN). Graduação em Ciências Econômicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN).
Desde 2016 vem publicando diversos artigos científicos em revistas e congressos nacionais e internacionais, sobretudo nas áreas de finanças, econometria e macroeconomia. No âmbito de mercado profissional, carrega experiência no setor privado e público, especialmente sobre atividades de elaboração e análise de indicadores econômicos.