13/11/2024 às 08h31min - Atualizada em 13/11/2024 às 08h24min

Inflação supera teto da meta em outubro

Por: Raiane Rodrigues - Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Economia na Universidade Federal da Paraíba (PPGE/UFPB).

LABIMEC

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A coluna "Radar Econômico" compartilha análises e reflexões sobre o cenário econômico atual, escritos por pesquisadores do LABIMEC da UFPB

Raiane Rodrigues - LABIMEC
Foto: Ilustrativa/Canva
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) apresentou uma alta de 0,56% em outubro, o que fez o índice acumulado em 12 meses saltar de 4,42% para 4,76%, ultrapassando o teto da meta de inflação.  Essa meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3,00%, com um intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos, estabelecendo uma faixa aceitável de 1,5% a 4,5%.

Os maiores responsáveis pela alta do IPCA foram os grupos Habitação, que subiu 1,49%, e Alimentação e Bebidas, com crescimento de 1,06%. Juntos, esses grupos contribuíram com 0,23 pontos percentuais para o índice de outubro. O principal impacto veio do aumento de 4,74% na energia elétrica residencial, que sozinho adicionou 0,20 pontos percentuais ao índice geral. Esse aumento na energia elétrica se deu pela mudança da bandeira tarifária de vermelha patamar 1 em setembro para vermelha patamar 2 em outubro, o que elevou o custo de R$4,46 para R$7,87 a cada 100 kWh consumidos.

O grupo de Alimentação e Bebidas também pressionou a inflação, especialmente pelo aumento de 5,81% nos preços das carnes, cortes como acém (9,09%), costela (7,40%) e contrafilé (6,07%) lideraram as altas. Essa elevação é explicada pela menor oferta interna, causada pelo clima seco, redução no abate de animais e aumento das exportações.
Em contrapartida, o grupo de Transportes apresentou uma queda de -0,38%, influenciada pela redução nas passagens aéreas, que caíram -11,50% e impactaram o índice geral em -0,07 pontos percentuais. Outros itens, como metrô (-4,63%) e ônibus urbano (-3,51%), também registraram baixas. Entre os combustíveis, o etanol (-0,56%), a gasolina (-0,13%) e o óleo diesel (-0,20%) tiveram redução, enquanto o gás veicular subiu ligeiramente (0,48%).

Com a inflação em 4,76% nos últimos 12 meses, o cenário econômico acende um alerta para o Comitê de Política Monetária (Copom), que poderá manter uma política monetária mais restritiva. A pressão inflacionária atual reflete os ajustes nas tarifas de energia elétrica, aumentos sazonais em alimentos e políticas fiscais expansionistas. Caso a inflação continue acima do teto da meta, o mercado já especula que a taxa Selic, atualmente em 11,25%, poderá ser elevada para até 13% ao ano nas próximas reuniões do Copom.

Em meio a esse cenário, o impacto da inflação sobre o dia a dia das famílias é evidente, o custo mais alto da energia elétrica e a elevação nos preços dos alimentos básicos pressionam o orçamento doméstico, especialmente das classes de renda mais baixa. Com a necessidade de destinar uma parcela maior de sua renda a esses itens essenciais, as famílias enfrentam dificuldades para manter seu padrão de vida. Essa situação gera preocupação sobre o poder de compra e a capacidade de consumo da população, fatores essenciais para o crescimento econômico do país. A expectativa de novos ajustes na taxa Selic também adiciona um peso extra para consumidores e empresários, ao encarecer o crédito e limitar investimentos.

Autora: Raiane Rodrigues

Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Economia na Universidade Federal da Paraíba (PPGE/UFPB). Mestra pelo Programa de Pós-Graduação em Economia na Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (PPE/UERN). Graduada em Ciências Econômicas pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE). 

Pesquisadora do Laboratório de Inteligência Artificial e Macroeconômica Computacional (LABIMEC).  E professora de educação financeira  na rede privada. 
Atualmente, suas pesquisas são direcionadas  a previsão de variáveis  macroeconômicas  e políticas fiscais e crescimento econômico.
 
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