27/11/2024 às 09h31min - Atualizada em 27/11/2024 às 09h27min

A repercussão da educação financeira nas decisões econômicas dos brasileiros

Escrito por: Bruno José Bezerra Silva. Doutorando em Economia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e membro do Laboratório de Inteligência Artificial e Macroeconomia Computacional (LABIMEC)

LABIMEC

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A coluna "Radar Econômico" compartilha análises e reflexões sobre o cenário econômico atual, escritos por pesquisadores do LABIMEC da UFPB

Bruno Jose Bezerra Silva
A insuficiência de educação financeira há muito tem sido um problema que afeta o cotidiano dos indivíduos, desse modo, impactando diretamente os orçamentos familiares e as decisões de pessoas físicas e jurídicas. Muitas vezes, a falta de compreensão sobre conceitos como juros compostos, ou a dificuldade em comparar produtos financeiros e não financeiros, contribui para o aumento da inadimplência, a ausência de planejamento para emergências e a dificuldade em alcançar objetivos de longo prazo.

Na realidade contemporânea brasileira, o fenômeno dos jogos on-line e apostas esportivas acentuam os desafios de fortalecimento da educação financeira. Um levantamento feito pelo Serasa e pela Opinion Box mostra que 46% dos inadimplentes já realizaram apostas pelo menos uma vez na vida, sendo que, desse total, 44% o fizeram para pagar dívidas. Além disso, os jogos vêm afetando negativamente a saúde mental, física e social das pessoas, impulsionando os casos de vícios, ansiedade, depressão e crises de pânico.

Uma pesquisa publicada em outubro deste ano, elaborada pela Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN) e pelo Banco Central do Brasil (BCB), mostrou que 67,2% das pessoas não têm segurança sobre o futuro financeiro; 48,4% relatam vivenciar algum nível de aperto monetário; e 32,8% gastam mais do que ganham. Diante disso, fica nítido que medidas provisórias, por si só, não serão suficientes para reverter esse cenário. Esses resultados indicam que a saúde financeira dos brasileiros é um tema que merece atenção de gestores públicos, diretores de instituições privadas e formuladores de políticas públicas, para desenvolver estratégias eficientes e duradouras.

Nesse contexto, é importante destacar algumas alternativas interessantes. No ambiente escolar, pode-se integrar temas como orçamento, crédito, moeda e investimento nas aulas; relacionar a educação financeira a outras disciplinas; e oferecer formação específica para os profissionais da educação. Na esfera familiar, a oferta de cursos comunitários e parcerias com empresas para a realização de workshops, palestras e treinamentos podem fortalecer o desenvolvimento de habilidades dos responsáveis pelo lar. Em termos de políticas públicas, a implementação de benefícios como cashback para aqueles que participam de programas de educação financeira ou atingem metas de investimentos pode ser uma medida razoável.

O mundo da educação financeira e dos investimentos oferece muitas oportunidades e pode trazer ganhos significativos para diferentes perfis de investidores. Para ilustrar, considere uma pessoa avessa ao risco que iniciou seus investimentos em janeiro de 2015 com um aporte inicial de R$ 1.000,00 e contribuições mensais de R$ 100,00. Atualmente, o montante acumulado seria aproximadamente R$ 38.816,65. No entanto, se ela tivesse optado por investir apenas o valor inicial, sem realizar os aportes mensais, o saldo final seria de cerca de R$ 2.376,56.

Diante desse cenário, observa-se que os rendimentos obtidos se mostram relevantes, pois podem auxiliar tanto no alcance de objetivos quanto no enfrentamento de imprevistos. Nesse sentido, torna-se evidente que a educação financeira não se limita à questão de dinheiro, mas também no aprimoramento do conhecimento e na melhoria de condições de vida, dessa forma, incentivando uma gestão mais consciente e planejada dos recursos disponíveis.

Observação relevante: os rendimentos de uma carteira de investimentos dependem de diversos fatores, como a seleção dos ativos, suas cotações ao longo do tempo e o comportamento da taxa de juros. Ademais, vale ressaltar que retornos passados não representam garantia de retornos futuros. Por fim, este texto não constitui recomendação de investimento, possuindo caráter exclusivamente acadêmico e informativo.

Sobre o autor: Doutorando em economia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e membro do Laboratório de Inteligência Artificial e Macroeconomia  Computacional (LABIMEC). Mestrado em Economia pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Especialização em Gestão Pública pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Rio Grande do Norte (IFRN). Graduação em Ciências Econômicas pela Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). 

Desde 2016 vem publicando diversos artigos científicos em revistas e congressos nacionais e internacionais, sobretudo nas áreas de finanças, econometria e macroeconomia. No âmbito de mercado profissional, carrega experiência no setor privado e público, especialmente sobre atividades de elaboração e análise de indicadores econômicos.
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