08/02/2025 às 08h00min - Atualizada em 08/02/2025 às 08h00min

Incerteza e confiança na economia brasileira: desafios e perspectivas

LABIMEC

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A coluna "Radar Econômico" compartilha análises e reflexões sobre o cenário econômico atual, escritos por pesquisadores do LABIMEC da UFPB

Bruno José Bezerra Silva
Foto: ilustrativa/Canva

Nos últimos anos, a cautela e a preocupação têm marcado o dia a dia dos brasileiros, reflexo de um cenário econômico desafiador, onde questões financeiras, econômicas e sociais aumentaram a incerteza e reduziram a confiança na economia. A fragilidade fiscal elevou a percepção de risco entre investidores e consumidores, intensificando a cautela e a volatilidade no mercado. Embora a taxa de desemprego tenha reduzido, o país ainda não demonstra uma melhoria consistente na confiança e nas expectativas positivas sustentadas, dessa forma, ampliando o sentimento de insegurança. Nesse contexto, fatores como inflação, juros elevados e endividamento público afetam diretamente o poder de compra da população e o crescimento econômico.

A inflação tem sido um dos principais desafios para o poder de compra da população, especialmente após ultrapassar o teto da meta estabelecida pelo Banco Central do Brasil em 2024, que tinha uma banda superior de 4,5%, alcançando 4,83%. Esse cenário tem corroído a renda e limitado o acesso a bens e serviços essenciais. A alta nos preços, particularmente em itens básicos como alimentação, transporte e moradia, obriga as famílias a reavaliarem seus orçamentos, muitas vezes renunciando ao consumo ou buscando alternativas mais acessíveis. Além disso, a incerteza inflacionária compromete o planejamento financeiro de longo prazo, dificultando a manutenção do padrão de vida e a realização de investimentos pessoais.

Um aumento da taxa de juros, que subiu para 13,25% na última quarta-feira (29), encarece o crédito e restringe o acesso a financiamentos para consumo, habitação e entre outros. Com prestações mais elevadas, o custo do endividamento das famílias aumenta, o que leva à retração da demanda e ao adiamento de compras de maior valor. Ademais, um incremento na taxa de juros desestimula a atividade econômica, dessa maneira, afetando a geração de empregos e pressionando a renda. Nessas situações, os consumidores se tornam mais cautelosos, planejando despesas necessárias e cortando custos supérfluos.

Outro fator determinante para a economia doméstica é a relação entre dívida pública e Produto Interno Bruto (PIB), que influencia diretamente a percepção de risco sobre a política fiscal do país. Quando esse indicador atinge patamares elevados, o governo pode ser forçado a adotar medidas de ajuste, como corte de investimentos e aumento de tributos, afetando o crescimento econômico e a geração de empregos. Além disso, um endividamento excessivo tende a pressionar a inflação e os juros, ampliando os desafios para os consumidores e dificultando a manutenção da estabilidade financeira das famílias.



De acordo com os dados mais recentes, observa-se que o índice de incerteza tem aumentado, enquanto o índice de confiança tem diminuído nos últimos meses. Comparando os dados disponíveis de dezembro/2024 para janeiro/2025, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) passou de 99,7 para 98,4, uma diminuição de 1,3%; o Índice de Confiança da Construção (ICST) passou de 96,6 para 94,9, uma queda de 1,8%; e o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) passou de 91,3 para 86,2, uma redução de 5,6%. Até o momento da construção deste texto, os dados mais recentes de incerteza, referentes ao mês de dezembro de 2024, indicam um valor de 115,4, o que representa um aumento de 4,53% em relação ao mês anterior. Essas variações refletem a tendência de enfraquecimento nos índices de confiança no período recente.

Diante desse cenário, o consumidor brasileiro segue enfrentando um ambiente de incerteza, no qual a inflação, os juros elevados e o endividamento público impõem desafios à economia doméstica. A recuperação do mercado de trabalho, ainda que em curso, não tem sido suficiente para restabelecer uma confiança sustentada, dessa forma, mantendo a cautela como principal diretriz das decisões financeiras das famílias e gestores. Assim, políticas econômicas voltadas à estabilidade fiscal e ao crescimento produtivo serão determinantes para reverter esse quadro e criar condições mais favoráveis ao consumo, ao investimento e à retomada do desenvolvimento econômico do país.

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