20/10/2025 às 19h45min - Atualizada em 20/10/2025 às 19h45min

Para além da “obrigação”: quando o devolver se torna estratégico

Empresas que performam no social conseguem construir narrativas legítimas de pertencimento. É falar do que se faz.

Marília Raulino

Marília Raulino

Doutora em Ciências Contábeis, atua no mercado corporativo desde 2012 está como CEO da Dental Center e conselheira de Administração pelo IBGC.

Marília Raulino - pautareal.com
Foto: Freepik

A carreira corporativa atual não pode mais ser pensada apenas como um caminho de ascensão individual. O profissional do século XXI está inserido em um ecossistema onde empresas precisam entregar mais do que resultados financeiros: é preciso gerar valor compartilhado. E, dentro dessa lógica, a performance social da empresa não é filantropia — é estratégia, para quem tem isso como DNA e com propósito.

As empresas que lideram mercados entenderam que seu papel vai além do lucro. O capital social passou a ser um ativo tão valioso quanto o capital financeiro. Quando uma organização investe em ações sociais estruturadas — que resolvem problemas reais da sociedade — ela não apenas fortalece sua reputação, mas também amplia seu potencial de atratividade e retenção de talentos.

Pesquisas do IBM Institute for Business Value apontam que mais de 70% dos profissionais preferem trabalhar em empresas que demonstram compromisso social genuíno. Esse dado não é só sobre ESG: é sobre identidade. Profissionais querem construir carreiras em organizações que têm propósito claro e que se posicionam diante das desigualdades.

A performance social também é um catalisador de desenvolvimento sustentável. Quando uma empresa direciona parte de sua inteligência estratégica para contribuir com educação, saúde, inclusão ou capacitação profissional, ela gera impacto positivo que retorna em forma de confiança, engajamento e licenças sociais para operar.

Mais do que apoiar projetos sociais pontuais, empresas precisam estruturar frentes contínuas de impacto. Isso exige governança, orçamento, indicadores de efetividade e diálogo com os públicos beneficiados. É nesse ponto que a lógica de carreira e o papel do colaborador também se transformam: cada pessoa se torna corresponsável por fazer o negócio transbordar para fora dos seus muros.

Empresas que performam no social conseguem construir narrativas legítimas de pertencimento. É falar do que se faz. E quem faz parte disso — seja no nível operacional ou na alta liderança — entende que seu trabalho conecta resultados a um bem coletivo.

No fim do dia, a equação se inverte: não são apenas os profissionais que contribuem para o crescimento da empresa, mas empresas que devolvem à sociedade o privilégio de crescer.

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