Ocupação no setor de serviços da Paraíba cresceu 46,3%, em 10 anos, 4º melhor resultado do país

Número de empresas prestadoras de serviços teve aumento de 72%, no mesmo período

Por Pauta Real-com IBGE

Ocupação no setor de serviços da Paraíba cresceu 46,3%, em 10 anos, 4º melhor resultado do país
Foto: Freepik

Em 2023, o setor de serviços paraibano registrou um recorde no número de pessoas ocupadas, com um total de 145.633 pessoas, quantitativo 46,3% acima do observado em 2014, ano em que havia 99.523 pessoas ocupadas no setor estadual. As informações são da Pesquisa Anual de Serviços (PAS) 2023, divulgada nesta quarta-feira (27), pelo IBGE. O levantamento visa retratar as características estruturais da oferta de serviços não financeiros das empresas brasileiras.

A variação do indicador estadual, entre 2014 e 2023, ficou acima tanto da média brasileira (17,2%), como da nordestina (20,2%). Além disso, foi a 4ª maior do país, abaixo apenas das registradas pelos estados do Mato Grosso (68,5%), Roraima (57,5%) e Alagoas (55%), enquanto o Rio de Janeiro foi o único estado a registrar retração (-5,9%). Com essa expansão em 10 anos, a participação do setor de serviços da Paraíba passou de 5,1% para 6,3%, no Nordeste, e subiu de 0,8% para quase 1%, no Brasil.

A série histórica demonstra um forte crescimento do número de pessoas ocupadas no setor paraibano após a pandemia, com destaque para o avanço de 12% entre 2022 e 2023, que foi o sétimo maior entre as unidades da federação. Esse resultado foi superior aos avanços observados nos cenários nacional (7,1%) e regional (8,2%). 

Número de empresas no setor de serviços da PB teve alta de 72%, 4ª maior do Brasil, entre 2014 e 2023

A Paraíba encerrou 2023 com 15.639 empresas de serviços não financeiros em atividade, um crescimento de 9,7% em relação a 2022 e de 72% frente a 2014, ano que o estado detinha 9.094 unidades. Esse resultado mostra uma expansão mais acelerada do que a registrada no Brasil (5,5% e 31,7%, respectivamente) e superior ao observado na média do Nordeste (12,6% e 48,2%). 

O estado obteve o quarto maior crescimento em 10 anos, ficando atrás apenas de Tocantins (123,6%), Roraima (93,4%) e Piauí (75,7%). Em sentido oposto, o Rio Grande do Sul apresentou a maior retração, com queda de 15,8% no ano e variação negativa acumulada de -3,2% na última década. Em termos relativos, a participação da Paraíba no contexto regional passou de 6,1% para 7,1%, enquanto frente ao Brasil subiu de 0,7% para 0,9%.

Salário médio mensal apresentou pequena queda no setor de serviços estadual, entre 2014 e 2023

Em 2023, a Paraíba registrou salário médio mensal de 1,5 salário mínimo, abaixo do valor verificado em 2014 (1,6 salário mínimo). O valor é menor que as médias do Nordeste (1,6) e do Brasil (2,3). Entre os estados nordestinos, o rendimento paraibano se iguala ao do Rio Grande do Norte, Sergipe e Alagoas, situando-se na faixa inferior da região. Quando comparado aos demais estados do Brasil, o valor do salário médio mensal da Paraíba é o segundo mais baixo, superior apenas ao valor de 1,4 salário mínimo registrado nos estados do Piauí, Roraima e Acre. Os estados com maiores salários médios foram São Paulo (2,8), seguido pelo Distrito Federal (2,4) e Rio de Janeiro (2,5).  

Os setores como serviços de informação e comunicação (2,7) e algumas atividades do grupo de transportes destacaram-se com remunerações superiores. Dentro deste último, observa-se forte heterogeneidade entre os grupamentos: o transporte rodoviário registrou média de 1,6 salário mínimo mensal, enquanto “outros transportes” alcançaram 4,3 salários mínimos, o maior nível de rendimento entre todas as atividades analisadas. Os correios e atividades de entrega apresentaram remuneração elevada (2,9), contribuindo também para o aumento da média do setor de transportes (2,0).

Em contrapartida, diversas atividades situaram-se abaixo da média estadual, entre os quais os serviços prestados às famílias, que concentram mais de 30 mil pessoas ocupadas e registraram média de 1,2 salário mínimo mensal, com destaque negativo para o grupamento de alojamento e alimentação (1,1) e atividades culturais, recreativas e esportivas (1,1). Também se encontram em patamares baixos as atividades imobiliárias (1,2 salário), os serviços de manutenção e reparação (1,4) e as outras atividades de serviços (1,1).

Em relação ao montante dos salários, retiradas e outras remunerações de prestação de serviços na Paraíba, entre 2014 e 2023, verifica-se que os serviços profissionais, administrativos e complementares mantêm posição de destaque em todo o período, com crescimento de participação de 38,8% para 47,7%. Em seguida, os serviços prestados às famílias representam o segundo maior segmento, com participação de 16,2% em 2023, apesar de queda em relação a 2014 (20,4%). 

Já os segmentos de informação e comunicação e transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio alternaram posições, ao longo da série, mas terminaram 2023 com participação de 14,4% e 12,9%, respectivamente. Os demais segmentos, de atividades imobiliárias, serviços de manutenção e reparação e outras atividades de serviços apresentaram participação mais modesta, variando entre 1,5% e 5%. 

Participação da Paraíba na receita bruta do setor de serviços do Nordeste apresenta pequena queda

A participação da Paraíba na receita bruta de prestação de serviços no Nordeste, entre 2014 e 2023, apresentou uma queda de participação de 4,8% para 4,7%. A Bahia continua com a maior participação (30,1%), mas perdeu espaço em relação a 2014, quando detinha 32,5%. Pernambuco e Sergipe também recuaram, de 22,5% para 21,2% e de 3,7% para 3,2%, respectivamente; enquanto o Rio Grande do Norte, assim como a Paraíba, apresentou uma pequena queda, passando de 6,0% para 5,9%. Em contrapartida, tiveram ganhos proporcionais na participação regional os estados de Alagoas, de 4,0% para 5,0%; Piauí, de 3,2% para 3,6%; Maranhão, de 7,3% para 8%; e Ceará, de 15,9% para 18,3%.

A PAS evidenciou mudanças relevantes na participação das divisões de serviços no total da receita bruta, na Paraíba, entre 2014 e 2023. O segmento de serviços profissionais, administrativos e complementares apresentou tendência de alta, saltando de 22% em 2014 para cerca de 35,4% em 2023, consolidando-se como o setor de maior peso na composição da receita. Em contrapartida, os serviços de informação e comunicação, que em 2014 respondiam por mais de 32,4% da receita, registraram queda progressiva, encerrando 2023 com participação de 18,5%.

Já os serviços prestados às famílias tiveram pequena variação, passando de 18,2% em 2014 para 18,4% em 2023, porém com forte oscilação ao longo da série histórica, que apresentou sua menor participação em 2020 (14,1%) e a maior nos anos de 2016 e 2017 (21,3%).  O segmento de transportes, serviços auxiliares aos transportes e correio também tiveram uma pequena perda de participação ao longo da série, com 19,2% em 2014 e 18,5% em 2023. As atividades imobiliárias, os serviços de manutenção e reparação e as outras atividades de serviços apresentaram participação mais modesta, abaixo de 5% cada. 

Mudanças de participação nos segmentos de serviços em relação ao número de empresas e pessoal ocupado ao longo de 10 anos

Entre os segmentos do setor de serviços, em relação ao total do número de empresas na Paraíba, em 10 anos, observa-se que os serviços profissionais, administrativos e complementares se consolidaram como o segmento de maior peso, alcançando 40% do total em 2023, após um crescimento significativo a partir de 2020. Já os serviços prestados às famílias, que tinham maior participação até 2019, apresentaram trajetória de queda, recuando de quase 38% naquele ano para cerca de 27% em 2021, com leve recuperação nos dois últimos anos, fechando 2023 com 29,5%. Entre as demais divisões, destaca-se o aumento de participação das atividades imobiliárias, com crescimento de participação que passou de 3,7% em 2014, para 6,9% em 2023.  O conjunto de “outras atividades de serviços” permaneceu com peso reduzido, em torno de 3% a 5% do total. 

Já em relação ao pessoal ocupado, observa-se que os serviços profissionais, administrativos e complementares tiveram crescimento relevante na participação, passando de cerca de 44% em 2014 para quase 51% em 2023, consolidando-se como o segmento com maior participação na mão de obra do setor no estado. Em contraste, os serviços prestados às famílias, que em 2014 representavam 25,8% do pessoal ocupado, perderam participação ao longo do período, recuando para 20,7% em 2023. Os transportes e serviços auxiliares aos transportes e correio mostraram queda gradual de participação, reduzindo-se de 16% para 9,5% no período. Os serviços de informação e comunicação apresentaram crescimento, passando de 6,5% para 7,9%. Segmentos menores, como atividades imobiliárias, manutenção e reparação e outras atividades de serviços, mantiveram baixa representatividade, mas com leve aumento recente.

 

 


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