“Empreender é muito difícil. E empreender sendo mãe é extremamente mais difícil”, essa é a frase sempre falada por Thais Targino após iniciar, há pouco mais de oito meses, uma empresa de confecção de roupas infantis de alfaiataria personalizada. No Dia Mundial do Empreendedorismo Feminino, comemorado nesta terça-feira (19), o Pauta Real conta histórias de empreendedoras paraibanas que enfrentam diariamente os desafios de conduzir seus próprios negócios.
A ideia de criar a Celina Alfaiataria surgiu quando Thais se tornou mãe da Celina, que hoje tem dois anos. Ela tinha em mente um estilo que gostaria de vestir a filha, mas não conseguia encontrar as roupas desejadas disponíveis no mercado. A partir dessa dificuldade, a empreendedora combinou com uma costureira da sua cidade, Mamanguape, a 50 km de João Pessoa, para fazer uma roupa personalizada. Com o resultado satisfatório, em todo mesversário, Celina vestia uma roupa nova, feita exclusivamente para ela.
Ao postar as fotos da filha nas redes sociais Thaís passou a receber mensagens de várias mães interessadas em saber mais sobre a confecção das penças. “As pessoas ficavam pedindo pra eu fazer para vender, mas eu não tinha coragem. Mãe de primeira viagem, totalmente dedicada à filha, eu não tinha essa coragem de empreender. Passou-se um ano e meio e enfim dei o primeiro passo, vendendo pra umas amigas da igreja que tinham filhos de idades próximas. Eu compartilhei minha ideia com minha mãe, com minhas irmãs e cunhadas e todas apoiaram”, explicou.
A primeira encomenda da Celina Alfaiataria foi para uma amiga da mãe de Thaís, mas ao ser divulgada nas redes sociais, várias encomendas surgiram. De março deste ano até este mês de novembro já foram produzidas 800 peças, tanto para meninos quanto para meninas. A equipe era composta por uma costureira e uma bordadeira. Thaís era responsável pelos pedidos, divulgação, administração e compra dos materiais.
Em oito meses, a empresa foi amplificada e atualmente conta com cinco costureiras, duas pessoas no bordado manual e na máquina e uma pessoa para apoio. Os planos da empreendedora agora são para finalizar um ponto físico na área central de Mamanguape para garantir um atendimento mais personalizado e com conforto. “Uma das minhas dificuldades é dosar o tempo com a minha filha, pois tanto ela como a empresa demandam muito de mim. Então a maior dificuldade que eu tenho é ser mãe e empreendedora”, frisou.
Cresce número de empresas criadas por mulheres
A consultora empresarial, Luciana Rabay, que está à frente de uma empresa de consultoria há 20 anos no mercado em João Pessoa, afirma que nos últimos cinco anos tem crescido a quantidade de empresas criadas por mulheres. Além disso, ela destaca o aumento no número de mulheres em cargos de liderança.
“As mulheres estão atuando em diversos cenários do mundo dos negócios, mas muitas estão na área de comércio de vestuário, do setor de alimentos e bebidas, moda, joias, serviços de beleza. Mas também tem empreendedoras que são donas de lojas de material de construção, de grandes distribuidoras, de postos de combustíveis. As mulheres estão envolvidas em todos os setores, estando à frente ou fazendo parte da gestão”, explicou, Rabay.
Entre as principais dicas da consultora para mulheres que buscam empreender está a realização do devido planejamento. Fazer uma pesquisa de mercado para que entendam a situação atual e possam se posicionar da melhor forma possível dentro daquela ideia de negócio. “Às vezes a ideia inicial tem que ser um pouco modificada, dependendo do mercado e do capital que a empreendedora tem para investir”, frisou a consultora.
Ainda de acordo com Luciana Rabay, na Paraíba como em todo Brasil há uma elevada taxa de negócios que fecham com apenas dois anos de funcionamento, o que é atribuído principalmente à falta de planejamento.
“Às vezes a empreendedora tem aquele sonho, a ideia. Ela quer empreender, mas ela quer fazer isso logo para não perder tempo. Então não faz uma pesquisa com um planejamento adequado, e acaba ficando sob pressão nos primeiros anos de negócio, por não ter feito esse planejamento”, disse.
Priscylla Nascimento transformou a adversidade em empreendedorismo de sucesso com a Ilumina Semijoias
A empreendedora Priscylla Nascimento, tem uma loja de semijoias na cidade de Bayeux, localizada na região metropolitana de João Pessoa. Antes de começar a empreender ela trabalhava como professora, mas após receber o diagnóstico de hipotireoidismo decidiu deixar a profissão.
Até abrir a loja online de semijoias, em março de 2022, ela experimentou diversas áreas no ramo de vendas como dindin gourmet, roupas, tortinhas e geleias. "Foi então que meu esposo me apresentou o universo das semijoias, um ramo que ele havia conhecido em uma viagem a São Paulo. No início, confesso que senti medo, pois era algo completamente novo para mim. Mas decidi mergulhar no aprendizado descobrindo não apenas uma fonte de renda, mas também uma forma de me reinventar e ajudar outras mulheres a se sentirem bem consigo mesmas", explicou.
Observando como se comportava o mercado online e as clientes, Priscylla também enveredou nos estudos e participou de eventos sobre empreendedorismo e assim trabalhou estratégias de vendas e iniciou o projeto da loja física. Há um ano e quatro meses a loja Ilumina Semijoias foi inaugurada
"Meu foco era o online e um atendimento personalizado, onde eu visitava as clientes com uma maleta de semijoias. Trabalhava com um pequeno grupo de cinco revendedoras no modelo consignado, e as coisas funcionavam bem. Afinal, abrir uma loja física significava assumir custos altos, algo que eu queria evitar. Mas comecei a perceber alguns desafios. As clientes entravam em contato pelo Instagram interessadas em comprar, mas quando descobriam que era somente online, acabavam desistindo", conta.
O pouco capital investido no início do negócio foi uma das maiores dificuldades da empreendedora, além pouca experiência em gestão de negócios, mas que ela vem enfrentando diariamente com determinação, aprendizado e resiliência.
"Dificuldades sempre surgem, fazem parte do empreendedorismo. Mas, atualmente, minha maior dificuldade está na área de marketing. É algo essencial para o crescimento do negócio, e embora já tenhamos alcançado bons resultados, percebo que ainda há muito a aprender e melhorar para que a Ilumina Semijoias se torne uma marca ainda mais conhecida", detalhou.
Outro desafio de Priscylla é equilibrar a rotina de empreender e a atenção ao filho, Gabriel, de 5 anos. Para conseguir conciliar, a empreendedora conta com uma rede de apoio, formada por sua família. "Meu esposo é o meu braço direito, o maior motivador, meus pais ajudam muito cuidando do Gabriel quando estou na loja, e meu irmão me dá suporte direto no negócio. Esse apoio incondicional é essencial para que eu consiga administrar tudo", concluiu.
Paraibanas empreendem em áreas ligadas ao bem-estar, serviços de beleza e saúde
A analista técnica do Sebrae/PB, Renata Câmara, explicou que as mulheres paraibanas empreendem principalmente em áreas ligadas ao bem-estar, serviços de beleza e saúde, além do comércio de confecções e pequena indústria, fabricação de alimentos, sobretudo no interior do estado.
"Ter uma empresa para muitas delas é um grande sonho a ser realizado que é o sonho da independência financeira, de realmente conquistar essa autonomia que muitas mulheres precisam, inclusive para sair de quadros de vulnerabilidade, de risco,. Mas também aquelas mulheres que encontram uma oportunidade de fato no mercado e investem, porque está mais escolarizada do que os homens, mais preparada. Ela é mais aberta a se capacitar a se qualificar", pontuou.
Para quem pretende iniciar o próprio negócio, a analista técnica reforça que o primeiro passo é identificar aquilo que o indivíduo tem vocação, entender sobre gestão e se capacitar em relação às habilidades sócio emocionais, a exemplo da autoconfiança.
"A mulher tem que lidar com muitos desafios no dia a dia. Muitas dessas mulheres são mães ou então cuidam de pais idosos, elas têm muito mais desafios para lidar, gerenciar emoções, esse dia a dia que é cansativo para poder dar conta de um negócio, que também é desafiador